Paul Auster: A política, a literatura, o seu processo de escrita e “4 3 2 1” na Casa das Histórias Paula Rego em Cascais

Foi num ligeiramente descontraído e bem humorado que Paul Auster esteve, ontem, à conversa com a escritora portuguesa Patricia Reis num dos encontros mais aguardados na 3ª edição do FIC – Festival Internacional de Cultura, uma iniciativa da LeYaOnline, em parceria com a Câmara Municipal de Cascais.

O Festival Internacional de Cultura, evento que está a decorrer em Cascais até dia 30 de Setembro, recebeu, de braços abertos e com o Auditório da Casa das Histórias Paula Rego completamente lotado, um dos maiores nomes da literatura americana: o escritor Paul Auster. Foi, recentemente, incluído na lista dos 13 finalistas para o Man Booker Prize deste ano, com o seu mais recente romance “4 3 2 1”, e o autor falou de diversos assuntos: Política, literatura, o seu processo de escrita, cito, apenas, estes como exemplos, e acabou por revelar até algumas curiosidades interessantes.

A Intervenção de Auster iniciou-se com a leitura do primeiro parágrafo da sua mais recente obra. É conhecido, mundialmente, por ser autor de vários livros de grande sucesso, a exemplo, destaco: “A Trilogia de Nova Iorque”, “Sunset Park”, “O Livro das llusões”, “No País das Últimas Coisas”, “Diário de Inverno” e “Mr. Vertigo”, entre muitas outros.

O autor revelou a sua opinião sobre a eleição de Donald Trump, a quem ele chama somente de “45”, uma vez que ele é 45º presidente dos EUA, visto que se recusa a pronunciar o seu nome. No entanto, apesar de se sentir frustrado pelo facto de ter visto milhões de americanos a votarem no actual morador da Casa Branca, revela que há um movimento cada vez maior de pessoas, liderado maioritariamente por mulheres, que está decidido a defender as suas convicções, opondo-se, firmemente aos valores e políticas defendidas por Trump e pela sua restante administração.

Afirma-se, também como um feminista e foi isso que o levou a dedicar a sua maior obra à esposa, a escritora Siri Hustvedt, com quem está casado há 36 anos. Declara ainda que é ela, a primeira a ler os seus manuscritos. Estes, numa primeira fase, ainda são escritos à mão e, só depois, são transcritos, integralmente, usando uma máquina de escrever.

Reforça que, para ele, ler o que escreve, em voz alta, é absolutamente, fundamental, pois, gosta de sentir a música que as suas palavras possuem.

Pessoalmente fiquei sem palavras, quando este ícone da literatura contemporânea americana confessou que leu “Crime e Castigo”, pela primeira vez, com apenas 15 anos. Certamente, esta obra de Dostoievski exerceu a sua influência não só no que diz respeito à formação da personalidade do autor, bem como nos temas que aborda, na maioria dos seus manuscritos.

Em “4 3 2 1”, assume que existem alguns acontecimentos retirados da sua própria vida, o que lhe confere, por vezes, um lado autobiográfico. Segundo ele, esta sua longa narrativa, a maior que já escreveu até hoje, levou 3 anos e meio a ser escrita. Contudo, quando a mesma foi lançada, a 31 de Janeiro de 2017, tinham-se passado, cerca de 7 anos após a chegada de “Sunset Park” às livrarias.

No que toca à sua última obra, Auster oferece-nos uma incrível viagem à America do início do século XX através da história de Archibald Isaac Ferguson. O protagonista é filho único de Rose e Stanley Ferguson, todavia, esta criança recebe 4 caminhos ficcionais. Quatro personagens com personalidades totalmente diferentes que pretendem representar a multiplicidade que cada um de nós tem, enquanto seres humanos. Quanto à estrutura do romance, cada capítulo está dividido em quatro partes, 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4, o que nos conduz ao facto de que a sua história é contada, a partir do incrível entrelaçar de pontos de vista.

O enredo habilmente construído nas mais de 800 páginas, envolve-nos, não só na vida doméstica e amorosa, mas também nas ideologias políticas em que acredita. À medida que Archie passa pela vida de jovem adulto, temas como a guerra do Vietname, os direitos civis, a eleição e o assassinato de John Kennedy são explorados, sendo que a acção principal desenrola-se, durante os anos 50 e 60 do século passado, entre Newark, New Jersey e Nova Iorque.

Quando interpelado sobre possíveis dicas que poderia dar a potenciais aspirantes a escritores, o autor aproveitou para relatar, de forma concisa e breve, como começou a sua carreira de escritor. É verdadeiramente impressionante, descobrir que o seu primeiro livro, “Cidade de Vidro”, o primeiro que abre “A Trilogia de Nova Iorque”, foi rejeitado 17 vezes por várias editoras, pois, estas não gostavam do final que ele tinha escrito. Nesse momento, Auster declarou que um escritor deve manter-se fiel às suas convicções.

Contou ainda que “A Trilogia de Nova Iorque”, não foi originalmente publicada na cidade que nunca dorme. Antes foi publicada por um pequeno editor de Los Angeles, no estado da Califórnia. Salientou ainda que os novos autores não devem pensar em escrever tendo como únicas intenções, ser publicado e ganhar dinheiro. Com o intuito de justificar estas duas razões, exemplificou, dizendo que o montante conseguido com as primeiras vendas do mencionado livro, totalizaram apenas 300 dólares. Assim sendo, quem quer enveredar por esta profissão, deve encarar a tarefa de escrever como uma necessidade.

Relembro que as obras do autor são publicadas, em Portugal, pela Edições ASA, uma chancela do grupo editorial LeYaOnline.

Em jeito de conclusão, partilho, com vocês, queridos leitores que foi uma enorme honra ter estado presente neste encontro, por sinal, o último no qual Paul Auster esteve presente pessoalmente, devido aos seus respeitáveis 70 anos de idade.

Descubra mais deste magnífico autor através do site da WOOK:

https://www.wook.pt/autor/paul-auster/19587

Podem também adquirir “4 3 2 1”, a obra que está a concorrer para o Man Booker Prize 2017:

https://www.wook.pt/livro/4-3-2-1-paul-auster/19041337

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