Notícias

A organização do Prémio Goncourt decide que não vai entregar o galardão enquanto as livrarias francesas estiverem encerradas

O aviso do adiamento da revelação do vencedor deste ano foi realizado pela academia que entrega o mais importante galardão das letras francesas, após Emmanuel Macron ter decretado um novo confinamento em França por causa da pandemia de Covid 19. Assim sendo, enquanto as livrarias estiverem encerradas, o nome do sucessor de Jean-Paul Dubois, autor que venceu a edição de 2019, continuará a ser um segredo bem guardado.

“Os académicos de Goncourt reafirmam o seu total apoio aos livreiros que enfrentam um novo e difícil período, como consequência da pandemia de Covid 19. Em solidariedade para com eles, não garantem que o anúncio do prémio previsto para terça-feira, 10 de novembro, seja feito se as livrarias estiverem fechadas. Consequentemente, se for esse o caso, adiam o anúncio do prémio Goncourt para uma data posterior, a ser especificada de acordo com a evolução da situação sanitária e as decisões governamentais tomadas.”

Esta decisão surgiu após os vários apelos feitos pelos livreiros ao presidente francês, que ainda não tiveram qualquer resposta. Por esse motivo, enquanto esperam por possíveis esclarecimentos sobre se as livrarias vão ou não fechar, os membros do júri da academia adiaram a revelação do vencedor deste ano deste prestigiado galardão literário francês. A justificação é o facto de se sentirem “consternados” com esse encerramento, “especialmente pela moral da população”.

“Parece-me que os livros são mais do que um meio de distração, são ferramentas para melhor compreender o mundo, especialmente as pandemias. Falei com o meu gato, a minha mulher, sobre o assunto. Não consegui contactar os outros membros nessa altura, mas tinha a certeza de que eles concordariam.” — Didier Decoin, Presidente do júri do Prémio Goncourt

Na passada terça-feira, a academia divulgou os quatro finalistas do prémio, cujo vencedor deveria ser anunciado a 10 de novembro.

A escritora camaronesa Djaili Amadou Amal, com “Les impatientes”, e os franceses Hervé Le Tellier, com “L’anomalie”, Mael Renouard, com “L’historiographe du Royaume”, e Camille de Toledo, com “Thésée, sa vie nouvelle” são os nomeados finais para o Prémio Gouncourt.

Esta foi a terceira etapa de um processo de eleição que começou em setembro com a escolha dos primeiros 15 candidatos ao galardão das Letras francesas, de entre os quais foram apurados, no início de outubro, oito finalistas.

Para trás ficaram Miguel Bonnefoy, com “Héritage”, Mohammed Aissaoui, com “Les funambules”, Irène Frain, com “Un crime sans importance”, e Jean-Pierre Martin, com “Mes fous”.

“O confinamento é, em algumas áreas, uma sentença de morte. Se anunciássemos [o Goncourt] na próxima semana, isso iria beneficiar apenas a Amazon ou os distribuidores em massa, e iria matar a rede de livrarias que, todos os anos, dependem do Goncourt para existir e atrair pessoas.” — Júri do Prémio Goncourt

Anualmente, o vencedor, que é definido por maioria absoluta, é anunciado no início de novembro.

Historicamente, o Prémio Goncourt, um dos mais importantes para a literatura em língua francesa, traduz-se, somente, num cheque com o valor simbólico de 10 euros, entregue ao laureado. Naturalmente, a sua atribuição provoca, desde logo, o aumento das vendas e assegura a tradução e edição a nível internacional, de acordo com o ‘site’ da Academia.

Desde a sua criação, em 1903, o Goncourt distinguiu escritores como Marcel Proust, Elsa Triolet, Simone de Beauvoir, Romain Gary, Patrick Modiano, Tahar Ben Jelloun, Érik Orsenna, Amin Maalouf, Jonathan Littell, Éric Vuillard, Mathias Énard e Leila Slimani, entre outros.

Foto: Prix Goncourt/Divulgação

Caso queira adquirir estes, ou quaisquer outros livros, apoie o Sonhando Entre Linhas, usando o link de afiliado da Wook:
https://www.wook.pt/?a_aid=595f789373c37

Sugestões de Leitura:

Leitores residentes em Portugal:
“A Ordem do Dia”, de Éric Vuillard (Prémio Goncourt 2017, Dom Quixote, Wook):
https://www.wook.pt/livro/a-ordem-do-dia-eric-vuillard/21607814
“Canção Doce”, de Leïla Slimani (Prémio Goncourt 2016, Alfaguara Portugal, Wook):
https://www.wook.pt/livro/cancao-doce-leila-slimani/19276814
“Bússola”, de Mathias Énard (Prémio Goncourt 2015, Dom Quixote, Wook):
https://www.wook.pt/livro/bussola-mathias-enard/18438426

Leitores residentes no Brasil:
“A Ordem do Dia”, de Éric Vuillard (Prêmio Goncourt 2017, Tusquets Editores, Livraria da Travessa):
https://www.travessa.com.br/a-ordem-do-dia-1-ed-2019/artigo/4fae111b-e81f-425e-9e43-099041eee7ed
“Canção de Ninar”, de Leïla Slimani (Prêmio Goncourt 2016, Tusquets Editores, Livraria da Travessa):
https://www.travessa.com.br/cancao-de-ninar-1-ed-2018/artigo/d149dbe3-ab89-4004-a399-41ae7813c309
“Bússola”, de Mathias Énard (Prêmio Goncourt 2015, Todavia, Livraria da Travessa):
https://www.travessa.com.br/bussola-1-ed-2018/artigo/69c72419-3f21-482e-a32d-9dc5608384cc

também estamos no Instagram:
https://www.instagram.com/sonhandoentrelinhas/

Boas leituras!

About author

Articles

Criativo, Criador do Sonhando Entre Linhas, amo ler, e escrever. Gosto de ler quase todos os géneros literários. Amo autores como Valter Hugo Mãe, Fernando Pessoa, José Saramago, João Pinto Coelho, Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório, entre outros. Desde agosto de 2019, trabalho no Grupo LeYa Portugal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *