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A estreia de Rodrigo Lacerda como editor-exectivo do Grupo Editorial Record e os novos rumos para o futuro

Há pouco mais de duas semanas, Rodrigo Lacerda foi anunciado como novo editor-executivo do Grupo Editorial Record. Ele substitui Carlos Andreazza, que ficou no cargo por quase dez anos. Agora, Lacerda que tem um perfil muito diferente, que acumula as experiências de ser autor, tradutor e também editor revela alguns dos seus planos e rumos para construir o futuro do Grupo Editorial Record.

Rodrigo Lacerda, que possui uma carreira consolidada como escritor de ficção e tradutor, uma vez que verteu, entre outros livros, obras de Alexandre Dumas, Charles Dickens, William Faulkner e Arthur Conan Doyle, demonstra que o seu perfil totalmente é diferente. Durante este seu trajeto, já arrecadou, por cinco vezes, o prêmio Jabuti e é autor de livros elogiados, nomeadamente, o romance “O fazedor de velhos” e a coletânea de contos “Reserva natural”.

Ainda assim, no seu ponto de vista, ele acredita que não foi isto que teve um peso determinante para sua contratação. Para ele, o que fez com que ele fosse contratado pelo Grupo Editorial Record foi o seu trabalho de longa data como editor. Lacerda é filho e neto de editores e começou a carreira na empresa da família, a Nova Fronteira. Depois, passou por Nova Aguilar, Edusp, Cosac Naify e Zahar, onde foi responsável pela direção da coleção Clássicos Zahar, que publicou mais de 30 títulos desde 2009 e vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Mesmo que o novo editor-executivo de um dos maiores grupos editoriais do Brasil e, diria mesmo, da América Latina, tenha vivido nos EUA, no último ano, devido ao seu perfil, é tentador pensar que, daqui em diante, a literatura brasileira contemporânea terá muito mais espaço no catálogo da Record.

“Acho que [a literatura brasileira] anda muito bem. Muitas vozes, muita diversidade, ótimos livros. Mas acho que um escritor talvez possa ter uma contribuição a dar. Embora a Record já tenha uma ótima linha de literatura brasileira contemporânea.” — Rodrigo Lacerda

Numa entrevista realizada pelo jornal Rascunho, quando questionado sobre o facto de, desde a saída de Luciana Villas Boas, o grupo se ter desviado um pouco da publicação de livros de ficção, e da fortíssima aposta na literatura brasileira contemporânea, dado que Carlos Andreazza, que a substituiu no cargo de editor-executivo, estava mais focado na edição de livros de não-ficção, Rodrigo Larcerda realça o trabalho do seu antecessor e sublinha os livros que chegaram às livrarias e que foram baseados em reportagens, sobre os mais diversos assuntos, e biografias. Parelamente, admitiu:

“Não é fácil mudar a cara de uma editora como a Record, que já tem tantas linhas e um catálogo tão variado. Nem sei se seria o caso. Penso, antes, em aproveitar a liberdade que ter tantas frentes de trabalho já abertas dá a qualquer editor.” — Rodrigo Lacerda

Em relação a algumas das escolhas editoriais que o grupo decidiu fazer, antes da sua chegada, que provocaram algumas polémicas, ele revela:

“Pretendo arejar ainda mais o debate nas publicações futuras. Isso deve aparecer mais a partir do ano que vem, pois a programação deste ano, como é normal, já está bastante avançada. O importante é não apenas a editora zelar por uma enriquecedora pluralidade do debate político, mas ela selecionar autores que também o façam, e que valorizem o contraditório em suas respectivas áreas de atuação.” — Rodrigo Lacerda

Quando foi abordada a questão de Sônia Jardim, a presidente do Grupo Editorial Record, ter referido, no comunicado que foi emitido aquando da sua contratação, que Lacerda irá “certamente conseguirá imprimir sua marca, sem perder de vista os valores da Editora”, ele respondeu que a forma de o conseguir é:

“Trabalhando direito e publicando bons livros que, de um jeito ou de outro, reflitam não apenas o gosto dos leitores, mas também o meu. Afinal, uma coisa que diferencia o trabalho editorial é que ele também tem um lado autoral. Então a marca de um editor acaba aparecendo no catálogo que ele publica, isso é quase inevitável. Desde, claro, que ele tenha um universo de interesses constituído e sincero. Mas isso eu acho que tenho.” — Rodrigo Lacerda

No que diz respeito às tarefas e responsabilidades dadas por este novo cargo, ele salienta:

“Vou cuidar, primordialmente, da linha de ficção brasileira e da linha de não ficção do selo Record, não do grupo como um todo. Na Edusp e na Zahar, por exemplo, já trabalhei bastante com livros de não ficção. Como não ficção entendo: história, reportagens, biografias, filosofia, ciência política, sociologia, educação, relatos de viagens, entrevistas, enfim, é um mundo.” — Rodrigo Lacerda

Por fim, ainda analisou os efeitos da pandemia mundial de Covid 19 no mercado editorial brasileiro e reforçou a importância das livrarias nesta indústria como um todo:

“Depois de anos e anos de crise, e de um primeiro momento de paralisação após a pandemia começar, até que o mercado reagiu muito bem. O e-book compensou as vendas na livraria e, em alguns casos, as editoras até faturaram mais. Mas claro que as livrarias são fundamentais e precisam voltar, precisam ser apoiadas e valorizadas. Nenhum mercado editorial pode viver sem elas.” — Rodrigo Lacerda

Foto: Rodrigo Lacerda por Renato Parada

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Boas leituras!

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Criativo, Criador do Sonhando Entre Linhas, amo ler, e escrever. Gosto de ler quase todos os géneros literários. Amo autores como Valter Hugo Mãe, Fernando Pessoa, José Saramago, João Pinto Coelho, Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório, entre outros. Desde agosto de 2019, trabalho no Grupo LeYa Portugal.

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